Doença Intestinal Inflamatória

A doença inflamatória intestinal (DII) engloba duas entidades, a Doença de Crohn e a Colite ulcerosa, doenças intestinais crónicas, de causa desconhecida, caracterizadas por períodos de remissão e períodos de agudização, com sintomas variados e que dependem do tipo de DII, da sua localização e do seu padrão clínico e que incluem habitualmente a diarreia com ou sem sangue, a urgência defecatória, emagrecimento e dor abdominal.

Uma DII mal controlada tem um impacte significativo na vida do doente, com absentismo no trabalho/escolar, mau rendimento no trabalho/escola, idas frequentes ao serviço de urgência, necessidade de internamento hospitalar ou mesmo de cirurgia.

Sendo doenças incuráveis, como tantas outras, o principal objetivo é atingir uma remissão profunda sustentada, sem corticosteróides, sendo isso possível, em muitos doentes, com as terapias médicas existentes, desde que o tempo da sua instituição seja o “ideal” e ainda não se tenha estabelecido dano estrutural no tubo digestivo. Os estudos existentes mostram que a DII em remissão profunda e sustentada se associa a redução significativa da necessidade de internamento hospitalar, de cirurgia e melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica do intestino de causa desconhecida. O processo inflamatório pode atingir qualquer segmento do aparelho digestivo desde a boca até ao anus, sendo o atingimento da parte terminal do intestino delgado (íleon) e do intestino grosso (cólon) o mais frequente. A inflamação caracteriza-se por ser transmural, o que significa que pode envolver toda a espessura da parede intestinal e provocar úlceras (feridas) do seu revestimento interior, estenoses (apertos), abcessos e/ou fístulas (complicações infecciosas secundárias á extensão do processo inflamatório para fora da parede do intestino). Os sintomas podem ser múltiplos e variáveis de doente para doente pois dependem da localização da doença, do seu comportamento e da presença ou não de manifestações extra-intestinais. A dor abdominal e a diarreia são dos sintomas mais frequentes.

Não é uma doença genética mas a susceptibilidade à doença é determinada por factores genéticos. Com efeito, cerca de 10-15% dos doentes têm outro familiar próximo com a mesma doença.

Para o diagnóstico é necessário a conjugação de dados clínicos, do exame físico e exames imagiológicos como a enterografia por TAC ou RMN e endoscópicos como a colonoscopia total com ileoscopia, com realização de biopsias, a endoscopia digestiva alta e nalguns casos a enteroscopia.

Não havendo ainda cura para esta doença o objetivo do tratamento é o controlo da inflamação com cicatrização da mucosa intestinal, a diminuição da necessidade de internamento hospitalar por agudização grave, a necessidade de cirurgia intestinal, e a melhoria da qualidade de vida. Os fármacos utilizados são os corticosteróides (tratamento das agudizações moderadas a graves) e os imunossupressores e/ou fármacos biológicos (anti-TNF, Ustecinumab). Os antibióticos utilizam-se frequentemente no tratamento das complicações supurativas (infecciosas) (abdominais e perianais). O tratamento cirúrgico é muitas vezes necessário na abordagem das complicações e nas formas resistentes à terapêutica farmacológica.

Colite Ulcerosa

A colite ulcerosa é uma doença inflamatória crónica do intestino grosso (cólon) de causa desconhecida. O processo inflamatório atinge a camada mucosa (revestimento interior) do recto podendo estender-se proximalmente aos restantes segmentos cólicos. Quando a inflamação se limita ao recto designa-se de proctite ulcerosa, quando envolve os segmentos distais do cólon e o recto, a designação de colite ulcerosa distal e quando se estende para o cólon transverso e/ou cólon direito, a designação de pancolite ulcerosa. Os sintomas dependem da extensão da inflamação no cólon, sendo a hemorragia digestiva baixa sobre a forma de rectorragia (emissão de sangue vermelho através do anús) o mais frequente. A diarreia com muco e sangue e a dor abdominal são mais frequentes nas formas mais extensas.

Não é uma doença genética mas a susceptibilidade à doença é determinada por factores genéticos. Com efeito, cerca de 10% dos doentes têm outro familiar próximo com a mesma doença.

Para o diagnóstico é necessário a conjugação de dados clínicos, do exame físico e exames endoscópicos como a colonoscopia total com ileoscopia com realização de biopsias.

Não havendo ainda cura para esta doença o objetivo do tratamento é o controlo da inflamação com cicatrização da mucosa cólica, a diminuição da necessidade de internamento hospitalar por agudização grave, a necessidade de colectomia (cirurgia cólica), e a melhoria da qualidade de vida. Os fármacos utilizados dependem da gravidade da doença e podem ser: os aminosalicilatos por via oral e tópica (supositórios e / ou enemas), os corticosteróides (tratamento das agudizações moderadas a graves) e os imunossupressores e/ou fármacos biológicos (em formas mais graves). O tratamento cirúrgico, protocolectomia (remoção do recto e cólon) pode ser necessário em formas graves resistentes à terapêutica médica e na presença de algumas complicações.

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